top of page


O Silêncio Antes das Seis
Começo pelo cheiro. Sempre pelo cheiro. Um perfume de madeira antiga misturado ao pó dourado que repousa nos degraus da escada. A luz do fim da tarde bate ali como se quisesse revelar algo, mas a casa não entrega seus segredos tão facilmente. Eu também não. Caminho devagar, sentindo o calor subir pelos tornozelos, como se a própria noite me chamasse pelo nome.

Silvia Rocha
há 15 horas3 min de leitura


A Menina e o Ratinho
Nesta crônica sensível, Nina, uma menina de sete anos, enfrenta duas semanas de internação por pneumonia em uma enfermaria cheia de crianças que vão e vêm. Sem visitas, encontra no Topo Gigio seu único companheiro. Entre o cheiro de remédio, a enfermeira de sorriso doce e o jardim que descobre ao caminhar pelos corredores, ela revisita a Ilha da Falta — onde aprendeu a sobreviver com pequenos fios de ternura.

Silvia Rocha
14 de abr.4 min de leitura


Verde por Fora, Vermelho por Dentro
Aos 50 anos, Aurora revisita memórias da infância na roça, entre goiabas e margaridas, refletindo sobre sua diferença e identidade. Inspirada por "O Patinho Feio", ela encontra acolhimento na goiabeira da avó Alice — abrigo, torre e silêncio. Um relato sensível sobre pertencimento, saudade e o reconhecimento de si mesma como parte da Ilha da Diferença. Verde por fora, vermelho por dentro: como ela, como nós.

Silvia Rocha
22 de out. de 20252 min de leitura


Colar de Espinhos e Beija-flor
Acordei com o cheiro da tinta ainda preso às narinas. O quarto estava quieto, mas dentro de mim havia um zumbido — como se um beija-flor tivesse se perdido entre as costelas. O espelho me olhava com a mesma expressão de ontem: um misto de desafio e cansaço. Vesti a blusa de algodão que ainda guardava vestígios de pigmento, e caminhei até o cavalete. Lá estava ela. Eu. Ou o que sobrou de mim.

Silvia Rocha
10 de out. de 20252 min de leitura


A Sombra que Habita em Mim
O cheiro do mar, salgado e persistente, se mistura ao doce da pitanga madura. É o que me ancora. Na Ilha dos Sonhos, esse aroma é o único fio que ainda me liga ao mundo. Às vezes, o vento traz também o cheiro de café fresco, e Lucio se lembra da cozinha da infância, da mãe cantando baixinho enquanto mexia a colher de pau.

Silvia Rocha
4 de out. de 20253 min de leitura


Entre o Labirinto da Mente e o Abraço da Ilha
A brisa da manhã traz o cheiro de maresia e bolo de fubá. É estranho como certas lembranças chegam assim, sem aviso, como fantasmas gentis. O cheiro me leva a uma cozinha que talvez tenha existido, talvez não. Um riso infantil ecoa, mas não sei se é meu. A areia sob meus pés parece me reconhecer. Piso nela como quem retorna a um lugar que nunca deixou.

Silvia Rocha
4 de out. de 20252 min de leitura


O Corvo, a Sereia e a Ilha do Silêncio
Hoje acordei com gosto amargo na boca. Não sei se foi o vinho barato ou o sonho que tive. Sonhei com a
Diário Coletivo é um espaço onde personagens ganham voz para contar suas vivências, dores, descobertas e transformações. Cada relato é uma janela para o mundo interno de alguém — real ou simbólico — que atravessa emoções humanas universais. Aqui, a psicologia se encontra com a narrativa, revelando que, embora únicos, somos feitos da mesma matéria sensível: histórias que me

Silvia Rocha
4 de out. de 20253 min de leitura


O Gosto Doce da Lágrima
Hoje acordei com gosto de lágrima na boca. Era doce. Como se o afeto tivesse dormido comigo e deixado um rastro nos lábios. O sol entrou pela fresta da janela como quem pede licença. Me levantei devagar, com o corpo pedindo desculpas por existir. A pele arde, os pés doem, e o espelho já não me reconhece. Mas ainda sou eu. Ou o que sobrou de mim.
A Ilha da Ternura Esquecida me conhece. No começo, eu só passava. Depois, comecei a ficar. Hoje, sou parte da paisagem.

Silvia Rocha
4 de out. de 20253 min de leitura


O Som da Porcelana Quebrada
Hoje o dia chegou com cheiro de fel. Acordei com o gosto de um ontem ainda guardado na boca — amargo, como café esquecido no bule. A luz entrou pela fresta da veneziana, tímida, como quem sabe que não é bem-vinda. Meus pés tocaram o chão da casa e senti a frieza da Ilha da Pedreira, como se ela tivesse se instalado dentro de mim.

Silvia Rocha
4 de out. de 20252 min de leitura


Quando o Corpo Dói, Mas a Alma Canta
Hoje o vento me acordou com cheiro de maresia e lembrança. As dores vieram junto, como quem bate à porta sem ser convidado: ombro, joelho, coluna — todos querendo conversar. Mas eu não discuto com o tempo. Ele fala, eu escuto. Faço café, visto minha camisa mais elegante e saio. O céu está cor de festa, azul com pontinhos dourados. A bicicleta me espera como uma velha amante: elétrica, fiel, charmosa. Subo nela como quem sobe num palco.

Silvia Rocha
4 de out. de 20253 min de leitura
bottom of page

