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O Silêncio Antes das Seis
Começo pelo cheiro. Sempre pelo cheiro. Um perfume de madeira antiga misturado ao pó dourado que repousa nos degraus da escada. A luz do fim da tarde bate ali como se quisesse revelar algo, mas a casa não entrega seus segredos tão facilmente. Eu também não. Caminho devagar, sentindo o calor subir pelos tornozelos, como se a própria noite me chamasse pelo nome.

Silvia Rocha
14 de mai.3 min de leitura


Colar de Espinhos e Beija-flor
Acordei com o cheiro da tinta ainda preso às narinas. O quarto estava quieto, mas dentro de mim havia um zumbido — como se um beija-flor tivesse se perdido entre as costelas. O espelho me olhava com a mesma expressão de ontem: um misto de desafio e cansaço. Vesti a blusa de algodão que ainda guardava vestígios de pigmento, e caminhei até o cavalete. Lá estava ela. Eu. Ou o que sobrou de mim.

Silvia Rocha
10 de out. de 20252 min de leitura


O Som da Porcelana Quebrada
Hoje o dia chegou com cheiro de fel. Acordei com o gosto de um ontem ainda guardado na boca — amargo, como café esquecido no bule. A luz entrou pela fresta da veneziana, tímida, como quem sabe que não é bem-vinda. Meus pés tocaram o chão da casa e senti a frieza da Ilha da Pedreira, como se ela tivesse se instalado dentro de mim.

Silvia Rocha
4 de out. de 20252 min de leitura
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