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Viktor Frankl: A Inabalável Busca por Sentido em Meio à Adversidade

Por Silvia Rocha

 

"Quem tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como." A célebre frase de Friedrich Nietzsche, frequentemente evocada por Viktor Frankl, sintetiza a filosofia que guiou a vida do neurologista, psiquiatra e filósofo austríaco. Mais do que um teórico da mente humana, Frankl foi um sobrevivente dos campos de concentração nazistas, onde enfrentou a brutalidade do Holocausto. Em meio ao sofrimento, encontrou no sentido da vida uma força capaz de sustentar o espírito humano mesmo nas condições mais extremas.

Essa experiência deu origem à Logoterapia, abordagem psicoterapêutica que coloca a busca por significado como eixo central da existência. Ao transformar sua dor em reflexão e sua vivência em teoria, Frankl construiu um legado que transcende a psicologia. Suas ideias seguem influenciando profissionais da saúde mental, educadores e todos aqueles que buscam propósito diante das adversidades. Este artigo revisita sua trajetória, analisa os fundamentos da Logoterapia e discute a atualidade de sua contribuição para a psicologia existencial e para os dilemas contemporâneos da humanidade.


Viktor Frankl com sua família, da esquerda para a direita: pai Gabriel, mãe Elsa, irmã Stella e irmão Walter, por volta de 1926. (Crédito da foto: © Viktor Frankl Archiv/brandstaetter images/picturedesk.com) [14]
Viktor Frankl com sua família, da esquerda para a direita: pai Gabriel, mãe Elsa, irmã Stella e irmão Walter, por volta de 1926. (Crédito da foto: © Viktor Frankl Archiv/brandstaetter images/picturedesk.com  [14])

Origem e Contexto Familiar: As Raízes de um Pensador

Viktor Emil Frankl nasceu em Viena, Áustria, em 26 de março de 1905, em uma família judia. Seu pai, Gabriel Frankl, trabalhou arduamente, ascendendo de estenógrafo parlamentar a Ministro de Assuntos Sociais, demonstrando uma ética de trabalho e resiliência que, sem dúvida, influenciaram o jovem Viktor. Sua mãe, Elsa Lion, completava o ambiente familiar. Desde cedo, Frankl demonstrou um profundo interesse por questões existenciais e psicológicas. Ainda adolescente, na década de 1920, ele iniciou uma correspondência com Sigmund Freud e, em 1921, proferiu sua primeira palestra pública sobre o sentido da vida.

Sua formação acadêmica na Universidade de Viena, onde estudou medicina, com especialização em neurologia e psiquiatria, foi moldada por um ambiente intelectual vibrante e por sua própria curiosidade insaciável sobre a condição humana [1]. Frankl obteve seu diploma médico em 1930, e já durante os anos de estudante se destacava por seu interesse em temas como depressão e suicídio, chegando a publicar artigos científicos ainda na juventude [4].

Entre 1933 e 1937, atuou como diretor do pavilhão de mulheres suicidas no Hospital Psiquiátrico de Viena, experiência que aprofundou sua compreensão sobre sofrimento psíquico e resiliência [5]. Posteriormente, tornou-se chefe do Departamento de Neurologia da Policlínica de Viena, cargo que ocupou por mais de 25 anos [6].

Frankl também se envolveu com os principais movimentos psicanalíticos da época, tendo contato direto com as ideias de Freud e Adler. No entanto, acabou divergindo de ambos, desenvolvendo uma abordagem própria centrada na busca de sentido como força motivadora essencial da existência humana — a logoterapia [7].


Situação Pessoal e Relações: Vínculos Desfeitos e a Força do Amor

A vida pessoal de Frankl foi profundamente afetada pelos eventos históricos de sua época. Antes da Segunda Guerra Mundial, entre 1933 e 1936, ele dirigiu o pavilhão de mulheres suicidas no hospital psiquiátrico de Viena, onde já demonstrava sua dedicação à preservação da vida e ao cuidado com a saúde mental. Com a ascensão do nazismo e a anexação da Áustria, a vida dos judeus tornou-se precária. Frankl, ciente dos riscos, sabotou ordens que o obrigavam a praticar eutanásia em pacientes com doenças mentais, colocando sua própria vida em perigo.

Em 1942, ele se casou com Tilly Grosser. No entanto, a felicidade conjugal foi brutalmente interrompida. Em setembro do mesmo ano, Viktor, sua esposa grávida, seus pais e seu irmão foram deportados para campos de concentração nazistas. Frankl passou por Theresienstadt, Auschwitz, Kaufering e Türkheim. Tragicamente, sua esposa, pais e irmão pereceram no Holocausto. Essa perda imensurável e a experiência de desumanização nos campos de concentração moldaram profundamente sua visão de mundo e sua abordagem terapêutica [1].

Após a guerra, Frankl retornou a Viena e reconstruiu sua vida. Em 1947, casou-se com Eleonore Katharina Schwindt, com quem teve sua única filha, Gabriele Frankl-Vesely. Gabriele tornou-se doutora e artista gráfica, e mais tarde se dedicou à preservação do legado intelectual do pai por meio do Instituto Viktor Frankl de Viena [4]. A constituição dessa nova família representou não apenas um recomeço pessoal, mas também a reafirmação de sua crença na capacidade humana de encontrar sentido mesmo diante do sofrimento extremo.


O casamento de Viktor Frankl e Eleonore (Elly) Schwindt, 18 de julho de 1947. (Crédito da foto: © Viktor Frankl Archiv/brandstaetter
O casamento de Viktor Frankl e Eleonore (Elly) Schwindt, 18 de julho de 1947. (Crédito da foto: © Viktor Frankl Archiv/brandstaetter [14]

A Psicologia do Sentido: O Legado de Viktor Frankl

A vivência de Viktor Frankl nos campos de concentração nazistas foi o solo fértil onde sua teoria encontrou raízes. Em meio à fome, ao frio e à brutalidade, ele percebeu que a capacidade de atribuir sentido à própria existência era decisiva para a sobrevivência e a integridade psicológica. Mesmo quando tudo era arrancado — família, bens, dignidade — permanecia a última das liberdades humanas: a de escolher a atitude diante do sofrimento.

Essa constatação deu origem à Logoterapia, uma abordagem psicoterapêutica de base existencial que se concentra na busca de significado como força motivadora essencial. Frankl contrapôs sua visão às teorias de Freud e Adler, propondo que o ser humano não é movido prioritariamente pelo prazer ou pelo poder, mas pela vontade de sentido [2]. Quando essa vontade é frustrada, instala-se o chamado vazio existencial, marcado por apatia, desorientação e perda de propósito [3].

Após a libertação, Frankl dedicou-se intensamente à missão de compartilhar suas experiências e consolidar sua abordagem terapêutica. Em 1946, publicou Um Psicólogo no Campo de Concentração, obra que mais tarde ganharia o mundo sob o título Em Busca de Sentido (Man’s Search for Meaning). Traduzido para mais de 30 idiomas e com milhões de exemplares vendidos, o livro tornou-se um marco na literatura sobre resiliência e dignidade humana [1].

Em 1948, concluiu seu doutorado em filosofia, complementando sua formação médica. Em 1955, foi nomeado professor de neurologia e psiquiatria na Universidade de Viena. Sua reputação internacional o levou a lecionar em instituições como Harvard, Dallas e Pittsburgh, além de receber diversos títulos de doutor honoris causa — inclusive da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil [1].

A influência de Frankl ultrapassa os limites da psicologia clínica. Sua Logoterapia oferece uma estrutura para compreender e cultivar o sentido da vida, mesmo diante da dor. Ele afirmava que a vida possui um valor incondicional, e que cada pessoa tem a liberdade e a responsabilidade de descobrir e realizar esse sentido. Suas ideias impactaram profundamente áreas como filosofia, educação, espiritualidade e os estudos sobre sofrimento humano.

O legado de Viktor Frankl permanece vivo, inspirando gerações a encontrar propósito em meio às adversidades. Sua obra continua a iluminar caminhos, oferecendo esperança e uma visão profundamente humanista da existência [1, 2].


Mas afinal, o que é a Logoterapia? Um Farol na Escuridão Existencial

A Logoterapia é uma vertente da psicoterapia existencial que se distingue por colocar o sentido da vida como o eixo central da saúde mental e do bem-estar humano. Em contraste com as abordagens de Freud (centrada no prazer) e Adler (centrada no poder), Frankl propôs que o ser humano é movido pela “vontade de sentido”, ou seja, pela necessidade de encontrar propósito em sua existência [8].

A Logoterapia é especialmente eficaz em momentos de crise, sofrimento ou perda, pois oferece ferramentas para transformar dor em crescimento. Ela parte do princípio de que, mesmo diante das circunstâncias mais adversas, o indivíduo pode encontrar significado e preservar sua liberdade interior [9]. Os três pilares fundamentais da Logoterapia são [2]:

  1. Liberdade da Vontade: A crença de que, independentemente das condições externas, o ser humano possui a liberdade interior de escolher sua atitude diante da vida. Essa liberdade é a base da responsabilidade pessoal e da capacidade de encontrar sentido mesmo em situações de sofrimento extremo.

  2. Vontade de Sentido: A ideia de que a busca por significado é a motivação primária da vida. Quando essa vontade é frustrada, pode surgir o chamado vazio existencial, caracterizado por apatia, desorientação e falta de propósito. A Logoterapia atua diretamente nesse ponto, ajudando o paciente a reconectar-se com valores e metas pessoais [10].

  3. Sentido da Vida: A convicção de que a vida possui um sentido incondicional, que pode ser descoberto e realizado de três formas:

    • Ações: por meio da criação de obras, realização de tarefas ou contribuição para o mundo.

    • Vivências: através de experiências significativas, como o amor, a arte ou a contemplação da natureza.

    • Atitude diante do sofrimento: ao escolher como reagir ao que não pode ser mudado, o indivíduo afirma sua dignidade e liberdade espiritual [11].

Além desses pilares, a Logoterapia utiliza técnicas como o diálogo socrático, a intenção paradoxal e a derreflexão, que ajudam o paciente a redirecionar o foco de seus sintomas para o sentido da vida. Essa abordagem tem sido aplicada com sucesso em contextos clínicos, educacionais, organizacionais e até espirituais, mostrando sua versatilidade e profundidade [12].

 

Curiosidades e Aspectos Pouco Conhecidos: Detalhes que Humanizam o Gênio

•        O Manuscrito Escondido: Frankl tentou esconder o manuscrito de seu livro sobre Logoterapia em seu casaco quando foi levado para Auschwitz, mas foi forçado a entregá-lo. Mais tarde, ele reconstruiu o manuscrito de memória nos campos de concentração, o que se tornou um de seus propósitos de vida [1].

•        A Tatuagem: Nos campos, Frankl recebeu o número de prisioneiro 119.104 tatuado em seu braço, um símbolo da desumanização que ele transformou em um lembrete da capacidade humana de transcender as circunstâncias [1].

•        Humor como Ferramenta: Frankl utilizava o humor como uma estratégia de enfrentamento nos campos, incentivando outros prisioneiros a encontrar momentos de leveza e riso, mesmo nas situações mais sombrias, como uma forma de afirmar sua humanidade [1].


Frankl utilizava o humor como uma estratégia de enfrentamento nos campos, incentivando outros prisioneiros a encontrar momentos de leveza e riso, mesmo nas situações mais sombrias, como uma forma de afirmar sua humanidade. Imagem: Brasil Paralelo [15]
Frankl utilizava o humor como uma estratégia de enfrentamento nos campos, incentivando outros prisioneiros a encontrar momentos de leveza e riso, mesmo nas situações mais sombrias, como uma forma de afirmar sua humanidade. Imagem: Brasil Paralelo [15]

Linha do Tempo de Viktor Frankl

Ano

Idade

Evento

1905


Nasce em Viena, Áustria, em 26 de março, em uma família judia.

1921

16

Dá sua primeira palestra pública sobre o sentido da vida.

1930

25

Forma-se em Medicina pela Universidade de Viena.

1933–1936

28–31

Dirige o pavilhão de mulheres suicidas no Hospital Psiquiátrico de Viena.

1942

37

Casa-se com Tilly Grosser; é deportado com a família para campos de concentração nazistas.

1942–1945

37–40

Sobrevive aos campos de Theresienstadt, Auschwitz, Kaufering e Türkheim.

1945

40

Retorna a Viena após a guerra; perde esposa, pais e irmão no Holocausto.

1946

41

Publica Um Psicólogo no Campo de Concentração, depois Em Busca de Sentido.

1947

42

Casa-se com Eleonore Schwindt; nasce sua filha Gabriele Frankl-Vesely.

1948

43

Obtém doutorado em Filosofia.

1955

50

Torna-se professor de neurologia e psiquiatria na Universidade de Viena.

Décadas de 1960–1980

55–75

Leciona em universidades como Harvard, Dallas e Pittsburgh; recebe diversos títulos honoríficos.

1997

92

Funda o Instituto Viktor Frankl em Viena.

1997

92

Falece em Viena, em 2 de setembro.


Viktor Frankl em retrato histórico — O psiquiatra austríaco que transformou o sofrimento em reflexão profunda sobre o sentido da vida. Sobrevivente de quatro campos de concentração nazistas, Frankl fundou a Logoterapia e tornou-se referência mundial em psicologia existencial.
Viktor Frankl em retrato histórico — O psiquiatra austríaco que transformou o sofrimento em reflexão profunda sobre o sentido da vida. Sobrevivente de quatro campos de concentração nazistas, Frankl fundou a Logoterapia e tornou-se referência mundial em psicologia existencial. Foto: Divulgação

Viktor Frankl e a Arte de Viver com Propósito em Tempos de Caos

Querido Leitor, Querida Leitora,

A trajetória de Viktor Frankl revela o poder transformador do sentido da vida, especialmente diante do sofrimento extremo. Sua experiência nos campos de concentração nazistas mostrou que, mesmo nas piores circunstâncias, é possível encontrar um propósito que nos sustente. Frankl ensina que o sofrimento inevitável pode ser enfrentado com dignidade quando há um “porquê” que nos impulsiona — uma lição valiosa em tempos de crise que afetam profundamente a saúde mental coletiva.

No livro Em Busca de Sentido, Frankl compartilha sua vivência e os fundamentos da Logoterapia, abordagem terapêutica centrada na descoberta do significado pessoal. A obra é um guia para quem enfrenta o vazio existencial e busca reconstruir a vida com propósito. Sua mensagem também ecoa em produções como o filme A Vida é Bela, de Roberto Benigni, que retrata a preservação da esperança em meio ao horror.

Caso queira saber mais, o artigo Os Impactos dos Grandes Desastres na Saúde Mental: Uma Análise Profunda da Resiliência Humana, disponível aqui no blog, reforça como eventos traumáticos coletivos desestabilizam emocionalmente, destacando a importância de abordagens que promovam resiliência.

Que a história de Frankl nos inspire a cultivar uma atitude consciente diante da vida. Em um mundo marcado por crises e perdas, sua mensagem permanece atual: a liberdade interior de escolher nossa resposta às circunstâncias é inalienável. Ao reconhecer que o sentido pode estar nas ações, experiências e na forma como enfrentamos a dor, abrimos espaço para uma existência mais plena. Que possamos transformar sofrimento em propósito e seguir com coragem rumo à realização pessoal.

Um abraço, Silvia Rocha


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Texto criado por Silvia Rocha para a seção Biografias — do Espaço Vida Integral

Biografias é um espaço dedicado a celebrar vidas que deixaram marcas profundas na história e na alma humana. Neste local, encontram-se narrativas de pensadores, artistas, líderes e sobreviventes que enfrentaram o caos e, com coragem e lucidez, transformaram dor em propósito. Cada trajetória revela como a existência pode se tornar uma mensagem poderosa — feita de resistência, sabedoria e humanidade. São histórias que inspiram, provocam e iluminam.


Referências Bibliográficas e Cinematográficas

[1] Viktor Frankl – Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Viktor_Frankl 

[2] 3 pilares da logoterapia para mais sentido e realização. Disponível em: https://www.psicologosberrini.com.br/3-pilares-da-logoterapia-para-mais-sentido-e-realizacao/

[3] Vazio existencial e sofrimento psíquico na vida contemporânea. Disponível em: https://www.psicologosberrini.com.br/vazio-existencial-e-sofrimento-psiquico-na-vida-contemporanea/

[4] FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

[5] FRANKL, Viktor E. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

[6] FRANKL, Viktor E. Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da logoterapia e análise existencial. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2009.

[7] FABBRI, Marisa. Viktor Frankl: o sentido da vida como resposta ao sofrimento humano. São Paulo: Paulus, 2013.

[8] PUCRS Online. Logoterapia: conceito e história da abordagem. Disponível em: https://online.pucrs.br/blog/logoterapia

[9] Psicologia Online. Logoterapia: o que é, técnicas e exercícios. Disponível em: https://br.psicologia-online.com/logoterapia-o-que-e-tecnicas-e-exercicios-1598.html

[10] A Mente é Maravilhosa. Logoterapia de Viktor Frankl: 3 princípios básicos. Disponível em: https://amenteemaravilhosa.com.br/logoterapia-de-viktor-frankl

[11] FRANKL, Viktor E. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia. Petrópolis: Vozes, 2008.

[12] JESUS, Luciano Marques de. Atalhos da sabedoria: maestria do ser e espiritualidade. PUCRS Online, 2024.

 [13] COHEN, Yaakov. Victor Frankl and the Meaning of Freedom

[14] KOHN, Sarah. In search of the meaning of Viktor Frankl. Moment Magazine, 2021. Disponível em: https://momentmag.com/in-search-of-the-meaning-of-viktor-frankl/?srsltid=AfmBOooORVoyGwkCq3GU7Q29gL4uWmFeisp4MiQrk-4Iimzugy3eseA2. . Acesso em: 10 out. 2025.

[15] BRASIL PARALELO. O sentido da vida segundo Viktor Frankl. Brasil Paralelo, [s.d.]. Disponível em: https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/sentido-da-vida-viktor-frankl. . Acesso em: 10 out. 2025.


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